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| Ronaldo Jarnik |
Se os pré-candidatos não tinham a real intenção da disputa, por que avançaram até este ponto? Por que realizaram inúmeras reuniões, eventos e mobilizações para isso? No mínimo entendo como falta de respeito com os participantes, com a militância e com as lideranças que se desdobraram em elaborar tudo isso. Mas enfim, cada um sabe até onde pode ir, pois é melhor desistir agora a desistir do mandato de Prefeito no meio do caminho.
Houve pré-candidato que disse querer muito ser prefeito por "gostar do embate dos problemas da cidade", mas no embate com o "primeiro problema da cidade", que era justamente apresentar um NOVO NOME como opção, recuou rapidamente, que pena... Até certo momento, acreditei que este teria um bom aparato técnico para governar a cidade, pela experiência e conhecimento, mas mostrou-se inábil na condução política de sua pré-candidatura. Como ele mesmo disse "a cadeira de Prefeito de São Paulo não é para fazer estágio" e ele está certo, por isso mesmo tem de aprender a se colocar melhor na condução dos "acordos" antes de ser prefeito, afinal, teria que negociar muito com a Câmara dos Vereadores.
Mas não é só este o fato indigesto deste dia. A entrada do ex-governador José Serra também se apresenta como algo incompreensível. Lembrei-me de um termo muito usado no Direito: ISONOMIA. Esta simples palavra é um princípio geral do direito segundo o qual todos são iguais perante a lei, não devendo ser feita nenhuma distinção entre pessoas que se encontrem na mesma situação. A Constituição Federal diz no caput do Artigo 5º : "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza..." ou seja, a garantia da isonomia, independente de condições sociais, econômicas e políticas. Artigo este redigido por palamentares constituintes que compõem os quadros do PSDB tais como: Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e o próprio José Serra. Ora, por momentos temos a impressão de que as lideranças do nosso partido esqueceram-se do que propuseram e promulgaram em 1988. Afinal, se um partido não consegue manter a ISONOMIA dentro de um processo de prévias internas, como poderá colocar-se como defensor e cumpridor da Constituição ao assumir o Governo Federal novamente?
Cito isso pois, as prévias foram estabelecidas em normas e formas jurídicas com prazos e regras que, aparentemente não serviram para nada além de serem descumpridas sem atribuir nenhuma punição à ninguém.
Tenho profundo respeito pela figura do Sr. José Serra, pela capacidade eleitoral, por seus feitos na administração da Cidade, do Estado e dos Ministérios que governou e ocupou, mas neste momento sua candidatura a Prefeitura de São Paulo é um equívoco. Estamos bipolarizando nossas disputas majoritárias apenas em 2 nomes: Geraldo Alckmin e José Serra, sem a preocupação de formarmos novas lideranças, novos quadros e novas frentes de trabalho.
Espero que as prévias sejam mantidas. Embora, como dito por alguns que "delegados não ganham eleições", serão os delegados os decisores de forma DEMOCRÁTICA, ISONÔMICA e VÁLIDA, que escolherão o próximo candidato do PSDB à Prefeitura de SP através do seu voto. Somente este gesto pode dar ao PSDB o sentido democrático pleno, além do seu nome, passando à sua atitude.
Dentro deste cenário só podemos desejar que o candidato seja um homem: combativo, com capacidade administrativa, com capacidade de articulação política, experiente e acima de tudo, um NOME NOVO para as eleições de São Paulo.
Avante às prévias pelo bem da democracia.
Grato
Ronaldo Jarnik
Militante do PSDB
Tesoureiro do PSDB em Pirituba



