![]() |
“Os médicos disseram que era gases e o orientaram a voltar para casa. No dia seguinte, sentindo dores, ele voltou ao PS. Ficou em observação por dois dias.
Quando a situação se agravou, foi transferido para o Hospital de Pirajussara para passar por uma cirurgia, mas já era tarde. Não deu tempo nem de ser operado. Morreu em pleno Natal”, afirma o irmão do paciente, Antônio da Silva.
Após os casos de Andrea e Gabriel, a promotoria do município retomou as investigações e pediu que os conselhos regionais de Medicina, Enfermagem, a Vigilância Sanitária e a Polícia Civil façam visitas ao hospital e apurem o ocorrido. O MP está analisando o prontuário dos dois pacientes para decidir que ação tomar. O comitê de ética do PS também analisará as duas mortes.
Vítima do descaso e da incompetência.
Gabriel Vitor de Lima Silva, 7, morreu vítima de uma apendicite não diagnosticada pelos médicos do Pronto Socorro Central de Embu, por onde o garoto passou por três vezes antes de morrer.
Por volta das 6h, do último dia 10 de Março, a mãe resolveu levar a criança ao PS Central. De acordo com ela, o médico aplicou butilbrometo de escopolamina (remédio usado para aliviar cólicas) na veia do paciente, orientou o garoto a beber bastante água e o liberou.
Gabriel sentia dores e vomitava, além de apresentar febre alta e diarreia, a mãe decidiu levá-lo mais uma vez ao PS, por volta de 16h30. De acordo com o relatório médico, foram solicitados exames complementares --sangue e raio-X--, a criança foi medicada e ficou em observação. A mãe, por sua vez, afirmou desconhecer que seu filho tenha sido medicado e disse que nenhum médico avaliou seu filho até o dia seguinte.
Os resultados dos exames só ficaram prontos às 11h da terça-feira (6) e diagnosticaram infecção no trato urinário, além de dispepsia e abdome agudo. “O médico disse que não era grave, que ele só estava com uma infecção urinária”, diz Daiana.
Por volta das 13h, Gabriel recebeu alta e voltou para casa. Pouco tempo depois, o garoto, em jejum desde a manhã do dia anterior, voltou a sentir dores abdominais e a vomitar quando tentou tomar uma sopa.
A mãe levou novamente o garoto ao PS por volta das 17h. Segundo ela, Gabriel foi atendido pelo mesmo médico, que se assustou quando viu seu quadro de saúde. “Ele disse: ‘como liberaram esse menino; o caso dele é muito grave’. Eu respondi que ele mesmo tinha atendido meu filho”, relembra Daiana.
Em seguida, o garoto foi transferido para o Hospital Geral de Pirajussara (estadual), que fica em Taboão da Serra, vizinho a Embu, onde passou por cirurgia. Segundo o hospital, o garoto deu entrada em “estado muito grave”, “foi submetido a uma cirurgia de emergência e encaminhado à UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”. Gabriel não resistiu e morreu cinco dias depois, após sofrer um choque séptico.
“Quando ele chegou ao hospital para cirurgia, o apêndice já tinha estourado. Ele estava cheio de pus pelo corpo”, afirmou a mãe, versão confirmada pelo hospital. Uma das complicações mais comuns em casos de apendicite é a perfuração do apêndice, que provoca o vazamento de fezes e pus para o resto do corpo, provocando infecção generalizada.
A secretária de Saúde do município, Sandra Magali, disse que o apendicite é difícil de diagnosticar em crianças e que o tratamento aplicado ao garoto foi correto. “No caso do Gabriel, a apendicite não era exuberante. Ele foi medicado, o quadro clínico melhorou e, quando deixou o PS, estava em bom estado geral.”
PT privatizou a saúde de Embu sem resultados para as pessoas.
Na investigação, a promotoria identificou indícios de altas indiscriminadas, que seriam motivadas pela necessidade de liberar vagas diante da demanda elevada. No primeiro semestre de 2011, a prefeitura contratou uma empresa terceirizada --a Medical Service Assessoria e Assistência Médica-- para auxiliar na gestão das unidades de saúde do município e reduzir o tempo de espera do atendimento.
Com mais de 240 mil habitantes, Embu não tem hospital, nem um único leito hospitalar adequado para internações. Os únicos leitos disponíveis, 27, estão no próprio PS Central, que não é destinado a internações.
Embu é administrada pelo PT a mais de 10 anos.
Hoje o prefeito é Chico Brito (PT), que sucedeu o agora deputado estadual Geraldo Cruz (PT).
Não encontramos nenhuma emenda do deputado petista Geraldo Cruz, no orçamento do estado para a saúde em Embu.


