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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Jornal inglês FT vê 'terra de ninguém', com saída de dinheiro do Brasil

Entre vendas e compras de ações brasileiras, investidores estrangeiros retiraram quase R$ 530 milhões da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) neste mês, até o pregão do dia 26.
Em março, as vendas bateram as compras por uma diferença de R$ 1,7 bilhão; em fevereiro, essa diferença foi de R$ 1,18 bilhão.
O capital estrangeiro é um componente essencial para a recuperação da Bolsa brasileira, na visão de analistas, respondendo por cerca de um terço dos negócios no mercado nacional. Não por coincidência, desde o início do ano o índice Ibovespa acumula desvalorização de 4,4% (até ontem).
No primeiro trimestre, o saldo de investimento estrangeiro está negativo em R$ 2,55 bilhões, ante uma retirada de apenas R$ 203,6 milhões no mesmo período em 2010, e de um saldo positivo (compras maiores que vendas) de R$ 1,33 bilhão nos primeiros três meses de 2009.
Os números acima levam em conta somente as operações diárias no pregão à vista da Bolsa, sem considerar as aplicações dos investidores não-residentes em IPOs (oferta inicial de ações), que historicamente têm uma participação maciça de capital estrangeiro.
FINANCIAL TIMES
Em uma reportagem denominada "Batalha contra inflação no Brasil testa investidores", o diário britânico "Financial Times" apontou os impactos do "ataque verbal" das autoridades econômicas brasileiras, incluindo a presidente Dilma Rousseff, no mercado de ações nacional.
Segundo o "FT", um dos mais influentes jornais econômicos do planeta, a Bovespa corre o risco de se tornar uma "terra de ninguém", "quanto mais paira a ameaça de inflação no Brasil (...) apesar de uma economia forte, que deverá crescer 4,5% este ano".
Citando especialistas do mercado financeiro local, o diário britânico ressalta que os investidores têm dúvidas sobre as medidas que o governo deve adotar para combater a inflação, cujas taxas aceleraram nos últimos meses a ponto do governo admitir que já não persegue o "centro" da meta (4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais) para este ano.