A ex-senadora Marina Silva deve deixar o PV na próxima semana, a desfiliação está prevista para ser anunciada em uma plenária na quarta-feira, dia 06.
Aliados de Marina reclamam da falta de democracia interna do partido e da ausência de diálogo com o presidente nacional do PV, José Luiz Penna.
O ex-presidente do diretório paulista Maurício Brusadin, destituído do cargo por ação de Penna, disse que a situação é insustentável. "Penna expurgou todo mundo que era a favor da Marina. Fez isso no Ceará, no Mato Grosso, no Pará e em São Paulo. Ele rodou o Brasil falando que Marina não ajudou o PV nas eleições, que ela não fez com que a bancada na Câmara aumentasse", reclamou Brusadin. "Ele [Penna] transformou o partido em um condomínio pemedebista e quer estar presente em todos os governos. O PV, que sempre esteve na vanguarda, agora está na vanguarda do atraso", atacou.
Ainda de acordo com outro líder o deputado Alfredo Sirkis, o PV enfrenta, atualmente, "uma crise séria" .
Os descontentes cobram eleições para os diretórios municipais e a fixação de um prazo de mandato para a Executiva Nacional.
- Não estamos pedindo a lua, estamos pedindo eleições nos diretórios municipais. Hoje o que se vê no PV é a escolha dos diretórios municipais pelos estaduais, que por sua vez são indicados pela nacional, que acaba controlando todas as esperas do partido. O PV tem hoje uma situação catastrófica, com alianças políticas contestáveis, como em Mato Grosso e no Amazonas. O partido está sendo penalizado - diz Sirkis, que reclama do "fechamento" da legenda para novos nomes. - Não estão deixando o partido crescer, não permitem que pessoas com mais representatividade entrem no partido - critica o deputado.
Ao anunciar sua saída do Partido Verde, a ex-senadora Marina Silva deixará pela segunda vez uma legenda. Antes de ingressar no PV, Marina era do PT, partido no qual começou sua carreira política, desfiliando-se em agosto de 2009 após sucessibvos escândalos envolvendo a legenda.
Poucos dias depois de se desfiliar do partido de Lula, Marina ingressou no PV, partido pelo qual disputou as eleições presidenciais no ano passado e obteve cerca de 20 milhões de votos, mas o desempenho eleitoral veio acompanhado de duros embates com a atual Executiva Nacional do PV, que reduziu seu espaço e de seu grupo, deixando-os fora de decisões da legenda.
Curioso é imaginar se Marina fosse eleita presidente como seriam as relações dos intelectuais que apoiaram sua candidatura com a executiva de seu partido, e pior como se dariam as relações republicanas com o congresso a máquina pública e a sociedade sem apoio partidário e legislativo substancial.
Administrar o pais requer mais que boas intenções e um discurso fácil e bonitinho, palatável aos ativistas e intelectuais, é preciso determinar um rumo, construir um caminho, percorrer uma estrada, para transformar o discurso em prática, e não se faz isso sozinho, sem um partido político democrático e compromissado com o país, fica o exemplo e o alerta.