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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

MEC errou na correção de 129 redações do Enem, mas o deputado Gabriel Chalita continua parceiro do Ministro Fernando Haddad

O Ministério da Educação admitiu que 129 redações do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) tinham "erro material" na sua correção e parte delas teve sua pontuação alterada. Alguns foram diagnosticados apenas depois que os candidatos pediram direito de vista da prova via ação judicial.




Até a última sexta-feira (13), o MEC havia admitido duas alterações de nota por "erro material": uma de um estudante de São Paulo e outra de um candidato de Belo Horizonte.

O Cespe (Centro de Seleção e Promoção de Eventos), que faz parte do consórcio responsável pela aplicação do Enem, listou os nomes de 129 participantes que tiveram as notas retificadas em função de problemas desse tipo.

Mesmo tendo entregue a prova em branco, a candidata Mônica Nunes tirou notas acima do mínimo divulgadas pelo MEC em dezembro.

Pelo método, os candidatos não podem tirar zero no exame, exceto na redação. Segundo o Inep (órgão ligado ao MEC e responsável pelo exame), as menores notas possíveis são as mínimas registradas.

Em Ciências da Natureza, tirou 269, quando o mínimo era de 265. Em Linguagens e Códigos, fez 304,2 e o mínimo era 301,2. Apenas em matemática, ela teve a nota mínima (321,6) divulgada à época. A candidata zerou a redação.

A candidata é professora de um cursinho pré-vestibular de Campinas e, para ter acesso à prova, ela se inscreveu no exame, compareceu e saiu assim que pôde com o caderno de questões.

"Fui fazer [o Enem] apenas para pegar a prova e podermos fazer a correção para os alunos. Fiquei o tempo mínimo na sala e entreguei o gabarito em branco nos dois dias", afirmou a professora. Ela só resolveu a prova de física, mas não transcreveu as respostas para o gabarito.

Solidário na incompetência, Gabriel Chalita, deputado que se diz ligado a área de educação por ter sido secretário na pasta, mas que votou em Tiririca para presidente da comissão de educação da Câmara dos deputados, disse com todas as letras em recente entrevista ao jornal Brasil Econômico: “Sempre fui parceiro do Haddad”.

O deputado federal Gabriel Chalita tem 42 anos de vida, mas já publicou 63 livros.

"Eu já tinha publicado 15 aos 20 anos", orgulha-se.

A hiperatividade literária diz muito sobre a personalidade do nome que o PMDB escolheu para disputar a prefeitura de São Paulo em 2012.

Mesmo com a pouca idade e o rosto juvenil, Chalita tem pressa. Depois de flertar com a vida religiosa e passar um tempo recluso em um seminário em Bananal, entrou como um cometa na vida política.

Tinha 19 anos quando foi eleito vereador pela primeira vez em Cachoeira Paulista, no interior paulista.

Desde aqueles tempos seu grande charme era a oratória.

No ambiente rudimentar da política paroquial do interior, aquele moço jovem e boa pinta arrebatava votos usando um discurso que misturava platitudes de auto-ajuda com temperos religiosos.

O primeiro partido de Chalita foi o PDT, e tal qual o número de livros que escreveu, é igualmente espantoso o número de partidos pelo que passou PSDB, PSB e agora está PMDB.

Como Haddad Chalita é Pré-candidato do PMDB, partido de Sarney, Renan Calheiros  e Jader Barbalho, à prefeitura de São Paulo, e segundo a entrevista, aposta que os laços afetivos que ficaram do lado de lá podem lhe garantir a vitória no segundo turno.

E com uma frase que poderia ter sido dita pelo prefeito Gilberto Kassab, sentencia:

"É muito pouco provável que o PSDB apoie o PT e vice-versa. Eu tenho uma relação boa nos dois lados".